Alguns projetos são especiais não apenas pelo desafio técnico, mas principalmente pelo que existe por trás deles.
O Gambatchê foi um desses projetos.
Tive a oportunidade de participar do desenvolvimento de uma plataforma de sorteios beneficentes para a Enkyo, criada para apoiar uma campanha com um propósito muito importante: arrecadar recursos para a reconstrução de estruturas de saúde e assistência afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
E, olhando agora para o projeto concluído, uma das coisas que mais ficaram para mim não foi necessariamente uma tecnologia ou alguma solução específica que desenvolvemos.
Foram as pessoas e o propósito.
Conhecendo a Enkyo e entendendo o projeto
Antes de começar a desenvolver qualquer coisa, tivemos algumas conversas com o pessoal da Enkyo.
E foi muito legal poder conhecer um pouco mais sobre a entidade, sobre o trabalho que realizam e também ter esse contato, mesmo que pequeno, com a cultura nipo-brasileira.
Essas conversas fizeram diferença porque ajudaram a colocar o projeto em perspectiva.
Não estávamos simplesmente construindo mais uma aplicação web ou mais um sistema para colocar no portfólio. Existia uma campanha real, pessoas envolvidas e uma causa muito importante por trás de tudo aquilo.
A Gambatchê foi promovida pela Enkyo Sul com o objetivo de ajudar na arrecadação de recursos destinados à reconstrução de estruturas de saúde e assistência atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
Poder usar o nosso trabalho para contribuir de alguma maneira com uma iniciativa assim tornou todo o processo ainda mais especial.
O desafio de criar uma plataforma de sorteios beneficentes
Do ponto de vista de desenvolvimento, o projeto também tinha características bem interessantes.
A Gambatchê possuía um regulamento próprio, regras específicas de participação, controle dos números da campanha, premiações e uma lógica de apuração relacionada aos resultados da Loteria Federal.
Ou seja, não era um cenário em que simplesmente escolheríamos uma plataforma pronta de sorteios e adaptaríamos o projeto ao que ela permitia fazer.
Era justamente o contrário.
Precisávamos entender como a operação funcionava e construir a tecnologia ao redor dela.
Esse é um tipo de projeto que gosto bastante de desenvolver porque exige muito mais do que simplesmente criar telas.
Antes do código, existe uma etapa importante de entender o problema.
O que determinada regra significa?
O que acontece em determinada situação?
Como o administrador acompanha a campanha?
Como garantir que as informações estejam organizadas?
E, talvez o mais importante: como transformar toda essa complexidade em algo simples para quem vai participar?
Foi a partir dessas perguntas que a plataforma começou a tomar forma.
Transformando o regulamento em software
Uma parte importante do desenvolvimento foi justamente transformar as regras do regulamento em regras de negócio dentro do sistema.
A plataforma precisava organizar a participação do público, os números vinculados à campanha, a gestão administrativa e também a lógica utilizada na apuração dos vencedores.
O resultado foi uma solução web desenvolvida especificamente para a operação da Gambatchê, com portal público, jornada de participação, gerenciamento dos participantes, ambiente administrativo e mecanismos para aplicar as regras previstas no regulamento.
Pode parecer simples olhando o sistema pronto.
Mas existe bastante trabalho escondido quando precisamos pegar algo que normalmente seria interpretado por uma pessoa e transformar aquilo em uma regra que o software precisa executar sempre da mesma maneira.
E essa talvez seja uma das partes que mais gosto no desenvolvimento de software sob medida.
Não é simplesmente programar uma funcionalidade.
É entender uma operação e conseguir representá-la através de tecnologia.
Uma experiência simples para quem estava do outro lado
Também existia outra preocupação desde o começo: a plataforma precisava ser fácil de usar.
Uma campanha desse tipo pode alcançar pessoas com níveis muito diferentes de familiaridade com tecnologia.
Então não adiantaria construir uma solução tecnicamente completa se participar dela fosse complicado.
A experiência precisava ser direta.
Entender a campanha, conhecer os prêmios, consultar as regras e saber como participar precisava acontecer de maneira natural, tanto no computador quanto no celular.
Por isso, boa parte do trabalho também passou por organizar informações, simplificar os fluxos e tentar remover qualquer complexidade desnecessária da experiência.
Tecnologia boa, para mim, muitas vezes é justamente aquela que consegue esconder toda a complexidade que existe por trás dela.
Muito além de mais um projeto
Trabalho com desenvolvimento e produtos digitais há muitos anos.
Já participei de projetos muito diferentes, para empresas de vários tamanhos, utilizando inúmeras tecnologias e resolvendo problemas bastante complexos.
E gosto muito dessa parte técnica.
Gosto de arquitetura, interface, experiência, código e principalmente de pegar uma ideia ou uma necessidade e ver aquilo se transformar em algo funcionando de verdade.
Mas alguns projetos acabam carregando algo a mais.
O Gambatchê foi um deles.
Foi incrível conversar com o pessoal da Enkyo, conhecer um pouco mais sobre sua história e cultura e entender melhor o trabalho que existe por trás de uma organização como essa.
E foi ainda melhor saber que aquilo que estávamos construindo seria utilizado para ajudar uma causa tão importante.
Quando trabalhamos todos os dias com tecnologia é fácil acabar olhando apenas para frameworks, linguagens, infraestrutura, interfaces e entregas.
Só que, no final, tudo isso é ferramenta.
O que realmente importa é o que conseguimos construir com ela.
Um projeto que fico feliz de ter participado
Hoje, olhando para o Gambatchê como mais um projeto concluído no nosso portfólio, tenho muito orgulho do resultado técnico.
Construímos uma plataforma sob medida capaz de reunir a campanha, seus participantes, suas regras e sua operação em um único ambiente digital.
Mas o que vou guardar desse projeto vai um pouco além disso.
Guardo as conversas, o aprendizado, o contato com uma cultura que admiro e principalmente a oportunidade de usar aquilo que fazemos todos os dias para colaborar com pessoas que estavam trabalhando por uma causa maior.
Foi um daqueles projetos que lembram por que gosto tanto de construir coisas.
Às vezes é um sistema.
Às vezes é uma plataforma.
Mas, do outro lado da tela, sempre existem pessoas.
E quando a tecnologia consegue ajudar essas pessoas de alguma forma, todo o trabalho ganha um significado diferente.
Confira algumas imagens




