Renato Froes — Estratégia, Design e Tecnologia

Projetos

Bom Appetite: construindo um produto do começo ao fim

Bom Appetite

Nos últimos meses eu estive trabalhando em um projeto que acabou se tornando muito maior e mais interessante do que imaginei no início.

O Bom Appetite nasceu dentro da Marrs Studio como uma ideia relativamente simples: criar uma experiência melhor para estabelecimentos que precisam vender online sem abrir mão da própria marca, da própria operação e da relação direta com seus clientes.

Conforme comecei a desenvolver o produto, ficou claro que não seria apenas mais um cardápio digital.

Acabou se tornando uma plataforma completa.

Quando design e desenvolvimento viram a mesma coisa

Eu participei de praticamente todas as decisões do projeto, desde a concepção inicial do produto, arquitetura, experiência de uso e design até o desenvolvimento, integrações, testes e funcionamento da operação real.

Foi um daqueles projetos em que programação e design acabaram ficando completamente misturados.

Não existia primeiro uma interface e depois um sistema por trás dela. As duas coisas foram evoluindo juntas conforme eu entendia melhor como o produto deveria funcionar.

Uma das coisas que mais me interessava era evitar aquela sensação comum de sistemas comerciais que parecem ferramentas administrativas adaptadas para o consumidor.

O Bom Appetite precisava ter uma experiência agradável para quem compra, mas ao mesmo tempo oferecer uma estrutura realmente profissional para quem está administrando o negócio.

Isso levou o projeto para vários lugares interessantes.

Hoje a plataforma envolve gestão de produtos e pedidos, pagamentos online, PIX e cartão, checkout transparente, integrações financeiras, logística, cálculo de entrega, atendimento por mesas, gestão operacional e uma série de pequenos detalhes que provavelmente nunca serão percebidos diretamente pelo cliente final.

E talvez esse seja justamente um bom sinal.

Boa tecnologia normalmente desaparece durante o uso.

Você faz um pedido, paga, acompanha e recebe.

Parece simples.

Mas existe bastante coisa acontecendo para que essa simplicidade exista.

Uma parte considerável do trabalho no Bom Appetite foi justamente construir essa infraestrutura sem deixar que toda essa complexidade aparecesse na interface.

Integrações que mudam o produto

Também tivemos alguns desafios interessantes envolvendo integrações externas.

O Mercado Pago, por exemplo, está integrado diretamente à experiência de pagamento da plataforma. Mais recentemente começamos a trabalhar também com o Uber Direct para permitir que estabelecimentos possam utilizar uma infraestrutura logística profissional sem precisar montar toda uma operação própria de entregadores.

Essas integrações mudam bastante o que um produto desse tipo consegue oferecer.

O objetivo deixa de ser simplesmente colocar um cardápio na internet.

Passa a ser entregar para pequenos e médios negócios acesso a uma estrutura tecnológica que normalmente exigiria diversos fornecedores, sistemas e integrações diferentes.

E existe outra parte do projeto da qual gosto bastante: branding.

Desde o começo eu não queria que todos os estabelecimentos dentro do Bom Appetite parecessem clientes de uma mesma plataforma.

A tecnologia deveria ficar em segundo plano.

A marca do restaurante, da doceria, da cafeteria ou de qualquer outro negócio precisa continuar sendo a protagonista.

Esse princípio acabou influenciando bastante o design e a arquitetura do sistema.

Cada estabelecimento possui sua própria identidade visual, seu próprio ambiente e sua própria experiência para o consumidor, enquanto toda a infraestrutura permanece sendo operada pelo Bom Appetite.

O trabalho está nos detalhes

Talvez por eu trabalhar há muitos anos tanto com desenvolvimento quanto com design, esse tipo de projeto seja particularmente interessante para mim.

Não é apenas construir funcionalidades.

É pensar em como uma pessoa vai descobrir o produto, como vai navegar, onde vai hesitar, como o estabelecimento vai receber aquele pedido, como o pagamento vai acontecer, o que acontece quando alguma coisa falha e como tudo isso pode continuar parecendo simples.

São dezenas de pequenas decisões.

Algumas técnicas.

Outras completamente humanas.

Hoje o Bom Appetite já está operando em lançamento controlado com estabelecimentos reais.

Inclusive já tivemos aquele momento pequeno, mas muito simbólico para qualquer produto: o primeiro pedido real sendo processado pela plataforma.

Pedido criado.

Pagamento aprovado.

Operação recebida pelo estabelecimento.

Tudo funcionando como deveria.

É uma sensação particularmente boa quando algo que passou meses existindo entre código, interfaces, diagramas e testes finalmente começa a participar do mundo real.

Ainda estamos no começo

Ainda existe bastante coisa que quero melhorar.

Na verdade, provavelmente sempre vai existir.

Produtos bons dificilmente ficam prontos. Eles vão ficando mais simples, mais confiáveis e mais úteis conforme você entende melhor quem está utilizando.

Mas gosto bastante de onde chegamos.

O Bom Appetite talvez seja um dos projetos que melhor representa a maneira como gosto de trabalhar: entender profundamente um problema, projetar a experiência, construir a tecnologia e acompanhar o produto até ele realmente funcionar na mão das pessoas.

Sem separar muito design de engenharia.

Sem construir tecnologia apenas porque ela é interessante.

E tentando fazer com que toda a complexidade necessária para criar um produto desse tamanho termine em algo muito simples para quem está do outro lado.

Ainda estamos no começo.

E talvez essa seja a parte mais interessante.