Renato Froes — Estratégia, Design e Tecnologia

Projetos

Quantum Grid: dessa vez, resolvi criar um jogo para desacelerar

Quem acompanha os jogos que venho desenvolvendo sabe que gosto de velocidade, explosões, efeitos visuais e um certo caos acontecendo na tela. Gosto mesmo! 😄

Mas, entre um projeto e outro, comecei a pensar em algo completamente diferente. Queria desenvolver um jogo que exigisse raciocínio, tivesse seus desafios, mas que também fosse uma experiência tranquila. Algo para abrir no celular depois de um dia complicado, colocar um fone de ouvido e esquecer um pouco das coisas.

Foi assim que comecei a trabalhar no Quantum Grid, um puzzle que desenvolvemos na Marrs Game Studio, misturando lógica, conexões, uma boa dose de neon e uma preocupação especial com a experiência de quem está jogando.

Fazer algo simples é mais complicado do que parece

A mecânica principal é conectar núcleos dentro de um tabuleiro. Parece fácil, e nas primeiras fases realmente é.

Só que, conforme o jogador avança, começam a aparecer portais, interruptores, cruzamentos, nós móveis e outras mecânicas que mudam completamente a maneira de resolver os desafios.

Uma coisa que sempre me incomodou em alguns jogos é quando a dificuldade aumenta simplesmente para irritar o jogador. Não queria isso aqui.

Minha intenção era criar uma progressão em que você aprende, começa a dominar as regras e, quando está ficando confortável demais, aparece alguma novidade que faz você precisar pensar de outra maneira.

É aquele tipo de desafio que faz você ficar olhando para a tela por alguns segundos até perceber uma solução que estava na sua frente o tempo todo. E essa sensação é muito boa!

O visual importa. Mas o som também conta uma boa parte da história.

Uma das partes de que mais gostei nesse projeto foi trabalhar a experiência sensorial.

Sempre fui muito ligado a design, interfaces e experiências visuais. E, desenvolvendo jogos, tenho percebido cada vez mais como pequenos detalhes mudam completamente a percepção de uma interação.

Não basta conectar dois pontos e mudar uma cor na tela.

A conexão precisa ter movimento, luz, resposta visual e sonora. Tudo precisa conversar. São pequenas coisas que, isoladamente, parecem bobagem, mas juntas fazem uma diferença absurda.

Também dedicamos bastante atenção à música e aos efeitos sonoros. Trabalhamos com composições atmosféricas, sons suaves e elementos inspirados em ASMR, tentando criar um ambiente que ajudasse o jogador a entrar naquele estado de concentração em que o mundo ao redor parece ficar um pouco mais distante.

A proposta não é transformar um jogo em terapia ou prometer resolver o estresse de ninguém. É simplesmente proporcionar uma experiência agradável, que combine estímulo intelectual com momentos de tranquilidade.

E fazer essas duas coisas funcionarem juntas foi um desafio interessante.

Tecnologia também pode ser sobre desacelerar

Passo boa parte dos meus dias entre código, interfaces, arquitetura de sistemas, inteligência artificial e um monte de problemas para resolver. Minha cabeça dificilmente fica parada.

Talvez por isso tenha gostado tanto de desenvolver esse jogo.

Existe algo muito interessante em utilizar ferramentas como a Unity, trabalhar com animações, efeitos, lógica e áudio, e direcionar tudo isso para criar uma experiência que não precisa ser frenética para prender a atenção.

O Quantum Grid foi pensado para aqueles pequenos intervalos do dia. Uma viagem de ônibus, alguns minutos no metrô, uma pausa no trabalho ou simplesmente um momento em que você quer se desligar um pouco.

Você pode resolver três fases e fechar o jogo. Ou pode ficar mais tempo tentando vencer aquele tabuleiro que insiste em não colaborar. 😅

No fim, desenvolver jogos tem me permitido explorar um lado da tecnologia que gosto muito: a liberdade de experimentar ideias, testar sensações e criar experiências que vão muito além de funcionalidades.

Nem todo jogo precisa acelerar seu coração. Às vezes, fazer o cérebro trabalhar enquanto o resto desacelera já é uma experiência e tanto.

E foi exatamente isso que quis explorar com o Quantum Grid.

Mais um experimento que virou projeto de verdade. E um daqueles que gostei particularmente de construir.