Renato Froes — Estratégia, Design e Tecnologia

Projetos

Eu só precisava criar screensavers. Acabei construindo o ScreenForge.

Alguns projetos começam com uma ideia.

Outros começam simplesmente porque você está cansado de resolver o mesmo problema várias vezes.

O ScreenForge nasceu do segundo jeito.

Há algum tempo começamos a receber na Marrs uma quantidade cada vez maior de projetos envolvendo screensavers corporativos. Empresas queriam transformar campanhas internas, comunicados, eventos, mensagens institucionais e outros conteúdos em protetores de tela para os computadores de suas equipes.

E esses screensavers já não eram aquela imagem estática que muita gente associa ao termo.

Eram praticamente pequenas peças de motion design.

Animações, textos, imagens, transições, identidade visual e, muitas vezes, vários minutos de conteúdo.

Para nós, produzir isso como vídeo fazia todo sentido. Eu podia trabalhar com um fluxo de motion design normal, revisar o material com o cliente, fazer alterações rapidamente e chegar em um arquivo final aprovado.

O problema começava depois disso.

Eu tinha um vídeo pronto.

Agora precisava transformar aquilo em um screensaver do Windows.

E fazer isso uma vez não era exatamente um problema.

Fazer isso de novo, depois novamente, e perceber que aquela demanda continuava crescendo começou a mudar a situação.

Quando um processo repetitivo começa a pedir uma ferramenta

Boa parte do meu trabalho como desenvolvedor sempre foi observar esse tipo de coisa.

Quando começo a repetir muitas vezes uma tarefa técnica que poderia ser automatizada, normalmente começo a pensar:

por que ainda estou fazendo isso manualmente?

Foi mais ou menos assim que surgiu a primeira versão do ScreenForge.

Não existia intenção de criar um produto.

Não fiz pesquisa de mercado.

Não criei uma apresentação.

Não havia roadmap, estratégia de lançamento ou modelo de negócio.

Eu simplesmente precisava produzir screensavers mais rápido dentro da Marrs.

A ideia inicial era quase utilitária: escolher um vídeo, configurar algumas propriedades e receber do outro lado algo que eu pudesse entregar para o cliente.

Só que acontece uma coisa interessante quando você realmente começa a usar uma ferramenta que criou para resolver o próprio trabalho.

Você rapidamente descobre tudo aquilo que estava esquecendo.

“Seria bom visualizar antes.”

“Preciso controlar como esse vídeo preenche a tela.”

“E se o computador tiver mais de um monitor?”

“Preciso conseguir gerar isso de uma forma que alguém consiga instalar sem precisar entender nada do que está acontecendo por trás.”

E assim aquela pequena ferramenta interna começou a crescer.

Não porque eu queria adicionar features.

Mas porque eu estava usando aquilo em projetos reais.

Cada recurso novo surgia de alguma necessidade que tinha aparecido no trabalho.

Alguns meses depois, já não era mais apenas uma ferramenta interna

Continuei trabalhando no projeto aos poucos.

Testando.

Refazendo algumas partes.

Simplificando outras.

Tentando principalmente esconder do usuário toda a complexidade técnica que existe por trás de algo aparentemente tão simples quanto:

“transformar este vídeo em um screensaver.”

Depois de alguns meses, percebi que o projeto tinha chegado em um ponto interessante.

Ele ainda não era algo que eu consideraria uma versão 1.0 definitiva.

Mas já era muito mais do que aquele utilitário improvisado que eu havia criado no começo.

Era uma aplicação de verdade.

E, principalmente, estava resolvendo o problema para o qual tinha sido criada.

Foi quando comecei a pensar que talvez não houvesse muito sentido em manter aquilo apenas dentro da Marrs.

Se nós tínhamos essa necessidade, provavelmente outros designers, desenvolvedores, produtoras, estúdios de motion, agências e equipes de comunicação também já tinham passado pela mesma situação.

Vídeo pronto.

Cliente esperando.

E aquela pergunta:

agora como eu transformo isso em um screensaver?

Então decidi disponibilizar o ScreenForge

Resolvi fechar uma primeira versão beta e colocar o ScreenForge nas mãos de outras pessoas.

O projeto está sendo disponibilizado gratuitamente e como software open source.

Essa decisão combina bastante com a própria origem dele.

Não nasceu como uma tentativa de criar mais um SaaS, mais uma assinatura ou mais uma plataforma tentando resolver cinquenta problemas diferentes.

Nasceu porque eu tinha um problema específico.

Criei uma ferramenta para resolvê-lo.

Ela funcionou.

Continuei melhorando.

E em algum momento percebi que aquela solução poderia poupar o tempo de outras pessoas também.

Gosto bastante quando software nasce dessa forma.

De dentro para fora.

Primeiro existe uma necessidade real.

Depois vem a ferramenta.

E só então aparece o produto.

Talvez seja também por isso que eu esteja particularmente satisfeito com o ScreenForge.

Ele não começou com uma ideia de produto procurando um problema.

Começou com um problema procurando uma solução.

E agora quero descobrir até onde essa pequena ferramenta pode chegar nas mãos de outras pessoas.

Transforme vídeos em screensavers

Se em algum momento você também precisar transformar vídeos, motion designs ou peças de comunicação em screensavers e não encontrar uma solução simples para isso, foi exatamente para resolver esse problema que o ScreenForge nasceu.

Com ele, você pode converter seus vídeos em protetores de tela de forma simples, sem precisar montar todo o processo técnico manualmente.

O ScreenForge é gratuito, está atualmente em beta público e pode ser baixado diretamente pelo site da Marrs Studio:

https://marrs.com.br/screenforge